Senhorita Delacour, quer falar sobre o que hoje? – Perguntou Ana minha psicóloga!
Toda sexta-feira eu tinha um horário com ela, às 14:30h e mais uma vez eu estava deitada naquele divã compartilhando com ela situações da minha vida.
dizendo... - A vizinha sai de casa todos os dias as 17h da tarde... – ela me interrompeu e disse:
-O que tem sua vizinha?– eu a ignorei e comecei novamente a falar exatamente desde o começo.
- Quando eu comecei a morar naquela rua a minha vizinha Cléo sempre foi muito gentil comigo, quando nos encontrávamos ela sorria, ou me dava um oi, mas nunca paramos e ficamos mais do que cinco minutos conversando, não tínhamos aquela aproximação para eu poder perguntar algo “particular” digamos assim, eu nunca via ninguém na casa dela, parecia sempre solitária, mas tinha um porém ela sempre saia de casa as 17h, era como se aquilo fosse uma tradição, ela se arrumava toda, colocava certamente o seu melhor perfume que exalava por todos os lados e sempre levava a sua bolsa, eu tinha curiosidade de saber o que ela fazia todos os dias no mesmo horário, trabalhar? talvez um encontro? Eu me perguntava às vezes, por isso um dia eu resolvi segui-la e não acreditei no que meus olhos viram, comecei então a seguir ela todos os dias para ver se isso iria acontecer novamente.
- Continue – Ana disse sem um pingo de importância.
- Ela saia de casa, nem trancava a porta, andava calmamente pela rua, com um ar de que tudo iria dar certo sabe? Ela estava sempre com a cabeça levantada e com um sorriso enorme em seu rosto, ela parecia saber o que fazia, além de tudo parecia muito feliz. Ela sempre passava no mercado e comprava uma garrafinha de água, sentava em um banquinho do outro lado da rua e ficava ali uns 10 minutos, depois ela colocava a garrafinha no lixo, mas sempre jogava a tampinha no chão.
- Ela agia tranquilamente, parava sempre na frente de uma loja para ver as roupas e sapatos, ou simplesmente era apenas um pretexto, Cléo passava por uma banca de jornal e sempre comprava uma revista, lia pelo caminho, quando chegava a esquina de um beco chamado flores, ela colocava a revista dentro da bolsa e seguia tranquila, naquela ruazinha minúscula havia um casarão, onde muitas pessoas moravam, ela ficou no meio da rua e esperou um pouquinho, então depois de uns 3 minutos um rapaz saiu, ele tinha o cabelo preto e uma pele bronzeada, acho que esse seria o tipo de homem que ela gostava, ela o chamou com um: ei, oi? Foi então na direção daquele homem e a única coisa a mais que eu escutei foi: tudo bem Luiz?
O rapaz negava alguma coisa, eu ainda estava na esquina não tinha nem como saber ao certo o que falavam, mas vi o momento que ela mexia em sua bolsa e tirava alguma coisa que logo em seguida o golpeou no peito, ele caiu no chão e eu pude ver o que ela havia nas mãos, era uma faca.
Sem dó ela continuou esfaqueando ele, e depois levantou sutilmente pegou em sua bolsa uma toalhinha de rosto pequena e limpou a faca, para guardar, logo após saiu tranquilamente como se nada tivesse acontecido.
Eu não podia fazer nada então fui para a casa antes que ela me visse, joguei atrás da porta meu sapato, e coloquei a minha bolsa em cima do sofá, subi as escadas e fui me deitar, não acreditava naquilo, mais acabei pegando no sono.
Os outros dias eu fiz a mesma coisa, segui minha vizinha até o casarão, e ela repetia sempre os mesmos passos, fazia a mesma coisa, e saia como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse sido ela e como se soubesse que ninguém iria ver ou suspeitar dela.
- Você deveria falar para policia – disse Ana me olhando sem nem ao menos se importar com o que eu disse.
- Eu já falei, eles não fizeram nada no momento, mas disseram que iriam investigar depois. Essa é a nossa policia.
-Pois é, bom já são 15:30, nos falamos sexta que vem?
- claro. – eu disse com um sorriso estampado no rosto.
O bom de conversar com Ana é que sei que ela nunca dá importância para essas coisas, a menos se tiver a ver com o marido ou seu filho, por isso eu divido com ela as situações mais inovadoras para mim, mas é claro que nunca poderia falar a verdadeira história.
Eu saí do consultório de Ana, e fui para a casa, tomei um ótimo banho e me arrumei, coloquei a minha melhor roupa, meu perfume com um cheiro doce, saí de casa às 17h em ponto com minha bolsa, passei no super mercado comprei uma garrafinha de água mineral, tomei enquanto estive sentada no banquinho, depois joguei a garrafinha no lixo, e como sempre eu fazia a tampinha joguei no chão, saí de lá vi algumas vitrines depois fui para a banca de jornal, comprei uma revista e segui em direção ao beco das flores encontrar com o Luiz, aquele que me desprezou, aquele que eu nunca deveria ter conhecido, aquele que iria pagar por todas as coisas que fez para mim, por isso eu estava sempre animada.
Fim
Por: Fabiana /1º Ano/ CNEC /2010












