sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Em baixo da terra!


Como um sufoco, enterrada viva pela escuridão e morta pelo destino.
Em baixo da humidade isolada no frio daquela terra, eu me via presa e sem saída.
Um pouco de afago, um pouco de carinho seria bom.
Eu não respirava, não tinha noção do tempo, apenas do espaço preenchido com terra envolta do caixão, sem ar, sem agua, e principalmente sem luz.
Eu estava sozinha e absorta, em um torpor fluente, morta!
As vezes alguém pairava aos 2 metros a cima de meu túmulo e chorava sem ao menos acabar a frase: Eu te A... Eu nunca pude saber quem era, eu não reconhecia a voz, não me lembrava de quem estivera comigo enquanto eu estava viva, eu havia simplesmente me esquecido de tudo.
Como fui parar ali? Como cheguei a esse ponto? O que aconteceu? Como era meu nome? E principalmente quem era aquela pessoa com a voz tremula que não conseguia terminar a frase?
Meu sangue já não corria pelo meu corpo, meu coração já não batia mais, eu não podia me mexer, só eu sabia o quanto aquela posição que eu fiquei me incomodava, ficar de braços cruzados pra que?

Sofri em silencio e chorei em pensamento!